RURALIDADES

Nascia o sol na aldeia,
Seguiam cedo para os campos,
Homens e mulheres cantando,
Parca refeição na sacola...
O trabalho esperando.

Cavar a terra e semear,
Mondar as ervas daninhas,
Deixar o fruto vingar
Podar e sulfatar vinhas.
Suar até mais não,
Asim vivia o camponês,
Entre o trabalho e a exaustão.

Ceifar as searas douradas.
Debulhar o grão na eira,
Guardar rebanhos e manadas
Sofrer a vida inteira,
Passar horas amarguradas
Às vezes sem eira nem beira,

Colher os frutos maduros,
Fazer o azeite e o vinho
Suportar os trabalhos mais duros,
Lutar às vezes sozinho,
Perdido no tempo que tinha.

À noite, a parca ceia o esperava
Em família, antes da deita,
Que não tardava a acontecer,
Porque o cansaço o invadia
Desde que via o sol nascer
Até de novo se esconder.

 Foi esta vida de dor e sofrimento,
Que o campo ofereceu
Ao cavador do meu tempo.

João Alberto Bentes (12/Maio/2011) 

   

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