NO CAMPO


No campo sente-se paz e harmonia
Dá-se tempo de tudo acontecer
Gozam-se labirintos de beleza
Vê-se a natureza crescer
Dorme-se pensando no dia.

Olham-se rios e ribeiras,
Cheira-se o perfume das flores
Deambula-se em caminhos de verdura
Escondem-se proibidos amores.

Sente-se pelo ar a ternura
Com que obrou o Criador,
Sente-se vida a passar
E o tempo sempre a mudar.

Soltam as aves lindas melodias,
Chocalham rebanhos nas serranias
Vê-se a Natureza mudando,
Sente-se a sequência dos dias.

Sigo ao sabor do pensamento
Esqueço por instantes meus receios
Sigo para lá do presente

Embarco no tempo e parto
Em loucos e longos devaneios,
Sem vontade de voltar.

No campo sou mais eu,
Vivo entre a noite e o dia,
Vejo as estrelas no céu,
Vejo a luz trazer a alegria,
Olho o horizonte que cresceu,
Sinto a tão rara paz,
Que a vida me escondeu
E vivo o bem que o campo me faz.

No campo constato a grandeza
Do tudo e do nada que sou,
Vivo amando a Natureza
Pensando em quem a criou,
E estou em perfeita comunhão
Com esta bela criação.

Vejo no campo o milagre,
Que se opera a cada momento
A Natureza se transformando.
Em cada ramo um rebento,
Cada flor desabrochando,
A terra dando sustento
Ao homem que a está tratando.

No campo respiro alegria,
Solto ais de emoção,
Oiço sons se propagando
Em suave comunhão,
Com o suor de cada dia.

Do campo depende a bondade,
De tanta gente alimentar,
Depende a vida da cidade.

Do campo sai a liberdade
Que nos permite sonhar,
Com a vida de verdade
Com que se deixa tarbalhar.


João Alberto Bentes (Dezº 2010)

   

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