1 - É NATAL!                                              2010-11-25

É Natal!
Tempo de pensar, de sorrir e de amar.
Agitam-se corações adormecidos
Pela frieza da condição humana.
Inventam-se palavras nunca ditas, às vezes.
Olha-se o semelhante enfim,
Sente-se aquela vontade
De sair de dentro do «mim».
Há amor em tantos corações!
Há tantas e boas intenções!
Vive-se tempo solidário e amigo,
Aguçam-se desejos de partilha,
Olha-se o vizinho necessitado
Dá-se amor ao inimigo.
É Natal!
Toca o sino da consciência
Badalando dentro de cada um,
Às vezes com tanta insistência
E mesmo assim sem eco algum...

É Natal!
Tempo de frio no ar,
Tempo curto e cinzento,
De lareiras aquecendo os corações,
Tempo de ternura e entendimentos
Tempo de muita paz e amor,
Tempo de dar e receber sentimentos
Tempo de voltar o Redentor.

É Natal!
Juntam-se os clãs em harmonia,
Recordam-se natais de infância
Vivem-se dias de união,
Encurta-se às vezes a distância.

É Natal!
Cheira no ar a filhós fritando,
Aos coscorões e sonhos tradicionais,
Cumprem-se usos e costumes
Servem-se ceias de perdão,
Desculpam-se actos de traição.

É Natal!
Há fogueiras no adro da igreja,
Há cantares ao Menino Jesus,
Perdoam-se males de inveja,
Adora-se o Senhor da luz
Beijando-o em adoração.

Fazem-se juras de bondade
Pede-se o Seu perdão
Para toda a Humanidade.

É Natal!
Cessam guerras em tréguas de momento,
Promete-se a Paz que é urgente,
Mas não acaba o sofrimento
Que aflige a alma da gente.
Repicam os sinos da compreensão,
Vivem-se tempos de solidariedade,
Ouve-se a voz do coração.

É Natal!
Tempo de olhar em redor,
De deixar o sentimento fluir
É tempo de dar de olhos fechados,
De olhar e sentir o amor,
De ouvir corações calados,
Tempo de outro tempo surgir,
Tempo de saber construir
Outro mundo, outro sentir.

João Alberto Bentes (Novembro/2010)

 

 

 

 

2 - Postal de Natal     2010-11-29

Chegou o Natal!
Ouço alguém dizer
Está neste postal
Lindo de se ver!
Bolinhas e fitas
É o que o postal tem!
Desenhado ao centro
Jesus e a Mãe!

Vamos já prá mesa!
Que não estamos sós...
Farta consoada!
Que belas filhós!
Ao findar a noite
É lindo afinal
Todos reunidos
Em santo Natal!

Maria Fernanda S. Gomes Baptista
Natal 2010

   

    

3 - Natal da Saudade                     2010-12-01

Na secular igreja da vila
Mais uma mística Missa do Galo
O sentimento revisita e perfila
Minha presença saudosa, assinalo

Meu ser em grande êxtase apostila
Eufórica, para Jesus, rezo e falo
Minha alma, louvando a Deus cintila
Do verde do presépio o aroma inalo.

Ah! Belos natais aqui com os irmãos
Em bem velhas calçadas, dando as mãos
A caminho de ir beijar o Deus Menino

Sinal dos tempos, hoje da cidade
Parti, para vir matar saudade
Meu coração voou ao som do sino.


Maria Vitória Afonso

 

 

 

 

 

4 - NATAL 2010                    2010-12-15
 
Em neblina me sinto envolvida,
A noite do Menino passa,
Muito lenta, muito sentida,
Cada gesto, cada voz é reprimido.
O tempo não pára.
O momento …é celebrado;
Não por todos…mas passa.
A vida continua,
Outras noites virão
Sem sentido e sem pão.
Porquê Natal então?!
No meio desta neblina,
No meio desta confusão?!

Senhor fecha os olhos,
           Estende a mão
Só Tu consegues;
 Mudar, equilibrar…
Colocar tudo no lugar.

               Para todos os associados e amigos da CES
               FELIZ NATAL!

Catarina Malanho Semedo

 

 

 

 

               5 - Natal Prometido               2010-12-16

Desejam sim! Um Natal Feliz
Sua lenda assim condiz!
Primaveras são passadas
Entre vales e montanhas
É toque de varinha mágica?
As histórias são equilibradas!
São vividas! Bem lembradas!

Presenteado Natal!
Com Natal prometido!
Natal de grande nascimento!
Musgando o seu presépio
Soando novas trombetas
É sinal de avivamento!
Os rios vão correndo
Em direcção ao mar!
A sintonia está perfeita!
Nasce o Sol, vem consolar
Novo Mundo! Novo Reino!
Temos Cristo a reinar!

Estarei sempre ao lado
Daqueles que sofrem!
Inocentes, por serem moldados
Ao sistema...
Um sistema profanado
Tem de ser desmantelado
Nascimento é seu Natal
Cristo por nós nasceu
Com amor assim venceu!
Natal de ontem! Natal de hoje! Natal de amanhã!
Natal em cada um de nós!...


Pinhal Dias

(Lahnip) – Amora / Portugal

 

 

 

 

6 - Aquela Boneca de Porcelana        2010-12-16

       (Conto de Natal)


Maria não tinha mais que cinco anos de idade. Era uma criança meiga e sossegada, com verdadeira adoração por bonecas, mas os pais não tinham muitas posses para lhas comprar. A sua mãe lá lhe ia fazendo umas bonequinhas de trapo, vestidinhas de chita, com a boca, os olhos e o nariz bordados com linhas de cor e o cabelo feito de fios de lã ou de barba de milho.
Maria tratava com muito carinho as suas pequenas bonecas de trapo e passava horas a brincar com elas.
Um dia, Maria viu uma linda boneca e ficou encantada com tamanha maravilha. A boneca era quase do seu tamanho, tinha um lindo rosto de porcelana, uns lindos olhos azuis e uma boquinha que parecia uma rosa desabrochada. Estava ricamente vestida, com um vestido de organza cor-de-rosa, enfeitado de rendas brancas e um chapeuzinho azul celeste, preso por umas fitas de seda da mesma cor, que acabavam num grande laçarote junto ao pescoço. Tinha uns sapatinhos pretos e uns soquetes brancos, que completavam a toilette.
Maria contentava-se com as suas pequenas bonecas de trapo que sua mãe habilidosamente fazia para ela, mas sonhava com aquela boneca que um dia vira.
Acalentava o sonho de poder vir a ter uma boneca como aquela, mas não se atrevia a falar no assunto com os pais.
Como o Natal estava próximo e ouvia dizer que o Menino Jesus deixava brinquedos no sapatinho daqueles meninos que se portassem bem, Maria rezava todas as noites ao seu Jesus para que não se esquecesse dela e lhe desse uma boneca igual àquela que um dia vira.
Na noite de Natal, depois da Missa do Galo e da ceia, o pai disse-lhe que tinha que deixar o seu sapato junto da chaminé. O coração de Maria disparou de contentamento e lembrou-se do pedido que tinha feito ao Menino Jesus. A sua ansiedade era tanta que quase não conseguiu dormir.
No dia seguinte logo de manhã, ainda o pai e a mãe estavam a dormir, Maria, pé ante pé, foi até à cozinha espreitar o seu sapatinho e quase deu um grito de alegria e incredulidade. Encostada num canto da chaminé ao lado do seu sapatinho, estava uma linda boneca de porcelana, que parecia irmã gémea daquela que um dia tinha visto.
Com muito cuidado, pegou nela e deu-lhe um repenicado beijo, mas deixou-a ficar no mesmo lugar e voltou para a cama à espera que os pais se levantassem e chamassem por ela, para lhe mostrar o que o Menino Jesus tinha deixado no seu sapatinho.
Até à idade de 10 anos, Maria acreditou que era o Menino Jesus quem deixava as prendas na noite de Natal dentro dos sapatinhos daqueles meninos que se portassem bem.


São Tomé – Amora / Portugal
www.osconfradesdapoesia.com

 

 

 

 

 

7 - A Noite de Natal                               2010-12-16

É meu...
E também é teu,
Dizia Maria a José
Nessa ditosa Noite
Em que olhava extasiada
Aquela estrelinha brilhante
Que lá do alto do céu
Iluminava pastores,
Rebanhos
E muitos outros animais,
Também entidades reais
E Anjos que vinham do Céu.
Não se ouviam ruídos,
Só entusiasmo e alegria
Todos queriam ver o Menino
Filho da Virgem Maria
Nascido na noite fria.
Traziam presentes e afecto,
Também muita paz e amor,
Vinham de longe e de perto,
Traziam felicidade e calor...
Noite distante que não se esquece,
Hoje como ontem é festejada
E com a família reunida
Por todos é celebrada.

Amadeu Afonso

 

 

 

8 - O MEU PRESENTE DE NATAL                     22/12/2010

Cumprindo uma rotina que se instala em cada um de nós, principalmente nesta época de Natal, fui esta manhã às compras, ao meu hiper habitual.

Quando empurrava o carrinho das compras, através dos corredores apinhados de gente, vi ao longe, por detrás de outras cabeças, que andavam na mesma azáfama que eu, um rosto bem conhecido e amigo, que ao ver-me se aproximou de mim, que fiquei estática, com os pés colados no chão, não acreditando no que os meus olhos estavam a ver.

Não passaria de um encontro casual, entre duas velhas amigas, que não se viam há muito tempo, se não tivesse tido conhecimento, na semana passada, que esta minha amiga e colega de profissão e creio que também sócia da CES, estava gravemente doente, em coma induzido, lutando entre a vida e a morte, numa situação muito crítica e irreversível, devido a um surto de cólera, que a apanhou desprevenida, no último dia de uma viagem, que há muito sonhava fazer, à Índia.

Após uma difícil e conturbada viagem de regresso, ao aterrar em Lisboa, foi imediatamente transportada para o hospital, em situação considerada muito grave e onde permaneceu várias semanas, presa à vida, graças às máquinas a que estava ligada.

Tudo isto eu sabia, mas mais nada, pois ela tinha mudado de casa e nem sequer o contacto da família eu tinha.

Ao longo dos dias, o filme foi-se desenrolando na minha cabeça e na minha mente: ou já não estava entre nós, ou caminhava apressadamente para o Além.

Quando nos encontrámos, não conseguia acreditar que era ela e a emoção tomou conta de nós.

Abraçámo-nos, beijámo-nos, chorámos e rimos.

E tudo aquilo que já me haviam dito, foi por ela confirmado na 1ª pessoa.

 Se há milagres, este foi um grande milagre, da vida sobre a morte.

E se há dias felizes, na nossa vida, eu posso afirmar que o meu dia de hoje, foi mesmo muito feliz.

Para mim, a Manuela, ontem estava morta!

Para mim, a Manuela, hoje ressuscitou!

E foi este o meu melhor presente de Natal!

Maria Inácia Martins

22/12/2010

 

   

9 - NATAL                       2010-12-29                

A alegria do NATAL
É poder partilhar
É dar paz e amor,
A todo o mundo alegrar.

Se eu fosse poderosa
Tinha muito que fazer,
Não havia neste mundo
Tanta gente a sofrer.

É ajudando os que precisam
A cada um dando a mão,
Ficaremos toda a vida,
Com mais paz no coração.

A Virgem Mãe embalou
No seu colo Deus Menino,
E nas palhinhas deitou
Aquele ser tão pequenino.

É Jesus a sorrir
Num sorriso de bondade
Para poder transmitir.
Paz em toda a humanidade.

Com seu amor profundo
É o nosso redentor,
Veio trazer Luz ao mundo
União, alegria e amor.

HELENA BRITO
10/12/2010

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