VIAGEM DA CASA DO EDUCADOR DO SEIXAL AO PORTO

Na próxima semana, um autocarro de turismo transportará cinquenta sócios, familiares e/ou amigos da Casa do Educador até à cidade invicta e, durante dois dias, haverá uma «mudança de ares» associada a uma belíssima «viagem» p’la Cultura, Arquitectura e paisagem nortenha.

Como é óbvio, um dos grandes objectivos desta Visita de Estudo será o Museu de Arte Contemporânea de Serralves, onde se encontra a exposição de um dos grandes vultos da Arte do séc. XX – Joan Miró.

Apesar da visita a esta exposição ser guiada por um especialista, a Casa do Educador, nas pessoas dos nossos queridos amigos Profª. Maria José Bento e Prof. Tomás de Aquino, tiveram a enorme atenção, delicadeza e generosidade de me convidarem para dinamizar uma pequena conversa sobre este artista plástico e as oitenta e cinco obras de Arte aqui expostas.

Foi um enorme prazer para mim estar com todos os amigos e conversar sobre assuntos que adoro.

Dirijo o meu profundo agradecimento aos queridos amigos Profª. Maria José Bento e Profº. Tomás de Aquino por se lembrarem de mim e p’la grande ajuda na projecção das imagens que elaborei para facilitar a nossa conversa, assim como, dirijo também uma palavra de enorme regozijo, apreço e de felicitações à nossa CES por conceder-nos a oportunidade de nos confrontarmos com a obra deste grande artista plástico, ajudando-nos a transformar a nossa própria maneira de «ver» o que nos rodeia e inspirar-nos para uma visão mais alargada, crítica, renovada ou com perspectivas diferentes no mundo da Expressão e Comunicação Visuo-Plástica.

Foi preocupação minha referir alguns dados biográficos mais significativos para uma melhor e eficaz percepção das obras expostas, assim como a descodificação do título da exposição - «Materialidade e Metamorfose» - sem esquecer de estabelecer um paralelo entre a Arte Moderna e a Arte Infantil como, por exemplo, ao nível dos signos/figuras utilizadas por ambos e também na Arte Primitiva; a «garatuja» feita pela criança pequena e o paralelismo com a pintura gestual abstracta do artista moderno; a imitação da pré-escrita, isto é, da «garatuja controlada» feita p’la criança quando imita a escrita dos adultos e a correspondência com o grafismo informal do artista; a perspectiva afectiva, bem visível na criança e a mesma desproporção intencional feita pelo adulto, contrariando a visão objectiva da realidade; a humanização dos signos; a ocupação do espaço topológico…

Houve ainda oportunidade de falarmos sobre as esculturas e os «sobreteixims» expostos no âmbito desta maravilhosa colecção.

De forma sucinta, abordei uma tela considerada um marco fundamental na obra de Joan Miró, executada entre 1924-25, - «O Carnaval do Arlequim» - exposta na Casa-Museu Joan Miró, em Barcelona, e que com ela, o artista inaugura uma nova linguagem plástica cujos símbolos nos remetem para uma fantasia inocente de crianças dada a quantidade de seres oníricos que povoam a tela, levando-nos a imaginar a forma lúdica, divertida como se movimentam, dançam ou tocam Música.

 

Finalmente referi o processo inovador de construção das cinco telas encomendadas pelo Grand Palais, de Paris, em 1969, destinadas a integrar, em 1974, uma grande exposição retrospectiva da obra plástica deste vulto do Abstraccionismo.

Perante a obra de Joan Miró, não posso deixar de recordar as palavras de outro grande vulto do modernismo mas, este é português. Cito Almada Negreiros:

«A Arte Moderna foi renovar-se numa Antiguidade que a Arte Académica já não tinha olhos para alcançar.»

São de Joan Miró as seguintes frases:

- «Mais importante que a Arte propriamente dita é o que ela vai gerar. A Arte pode morrer; um quadro desaparecer.

O que conta é a semente.»

- «Eu tento aplicar as cores, como as palavras são aplicadas para formar um poema, ou como as notas são aplicadas para formar uma música.»

Uma palavra de profundo agradecimento dirigida também a todos os amigos que estiveram presentes esta tarde, na Casa do Educador.

Bem-haja a todos.

Bem, como é óbvio, a visita a esta nobre cidade inclui também o Centro Histórico o qual, como todos sabemos é Património da Humanidade, a linda Estação de S. Bento onde poderemos admirar no átrio principal os belíssimos painéis de azulejos da autoria do Mestre Jorge Colaço, o majestoso Palácio da Bolsa com a mistura de estilos arquitectónicos, desde o neoclássico oitocentista, à arquitectura toscana, assim como, ao neopaladiano inglês, sem esquecer as suas magníficas salas.

Visitar-se-á também a Casa da Prelada, os seus jardins, lagos e fontes e cujo projecto de arquitectura é de Nicolau Nasoni.

Haverá ainda tempo para uma visita guiada a uma Cave dos afamados Vinhos do Porto.

 

Boa viagem, queridos amigos e divirtam-se imenso.

Mª de Lourdes Mano.

 

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