10 de Maio de 2011

 Convívio da CESVIVER

 O escritor Manuel da Fonseca

 A Prof.ª M.ª do Céu Silva apresenta a viúva do escritor

 Uma parte da assistência

 A Prof.ª fala da vida e obra do escritor

     
     
 

 As pessoas participam

 
     
     

 Agradecimentos à D. Hermínia Fonseca

 Assinando alguns livros que se venderam

 Com a Directora da CESVIVER e Prof.ª Céu

     

MANUEL DA FONSECA
Seara de Vento

Manuel da Fonseca não temeu em transpor para a sua famosa Obra o aspecto da vida dos camponeses alentejanos.
A acção do seu Romance desenrola-se precisamente com as gentes das Minas de S. Domingos, no Baixo Alentejo, onde relata o comportamento humano, face à realidade social insustentável.
Em plena ditadura, ele sabia que todo o tipo de empresa, editorial e jornalística, estava sujeita à censura (ou seja o lápis azul). Podia calar a sua voz uma vez por todas, mas
o vento = igual a liberdade não calou a sua voz.
O vento e Amanda Carrusca, com o seu perfil psicológico, vivendo num casebre, embora se sinta um farrapo, para ela lutar é um destino que a leva à heroicidade de entender.
Não é para matar que a gente deve unir-se, é para podermos viver LIVRES COMO O VENTO.
Desmistifiquemos a questão, confessemos a descoberta ocasional, livre, de Manuel da Fonseca, ao contrário dos que ao invés de salões de fantasias, jantaradas em baixelas de ouro enquadradas por sumptuosos mármores trabalhados, dispõe, isso sim, de uma singularíssima biblioteca.
Qual a singularidade da Biblioteca? – Os livros não são exactamente livros, mas Sons, Falas que foram arquivando histórias vividas, contadas e recontadas pelo povo.
De facto, Manuel da Fonseca foi o Tronco da Árvore que sustém a abóbada, cujas folhas, tocadas pelo vento nos mostram bem visível o símbolo da LIBERDADE.

Amora, 17 de Maio de 2011
Maria da Visitação

Centenário do Nascimento de Manuel da Fonseca

           A Casa do Educador do Seixal, atenta às efemérides ligadas ao nosso Concelho, inseriu no Plano de Actividades deste ano, o estudo de uma obra do nosso querido Manuel da Fonseca.
  Assim, nas tardes da CESVIVER, houve momentos dedicados à leitura de “Seara de Vento”, uma das obras mais emblemáticas do escritor (1958). Uma dúvida, porém, ficou no ar:
 Como organiza Manuel da Fonseca o seu discurso?
 Disse-me ele, um dia: “ A minha memória mais antiga estava cheia de pessoas e de ambientes que me eram familiares. Sobre eles comecei a escrever como quem inicia uma longa história. Não foi fácil. Inventei-a com palavras até ao esvaziar das recordações…”.
 De facto, as palavras são, para ele, meio de expressão apenas. Não as trabalha, trabalha com elas. Elas percorrem todo um caminho físico e textual que é, afinal, a obra do escritor. Elas ganham autonomia, dirigem em lugar de serem dirigidas, tal é a força discursiva. Mas Manuel da Fonseca dialoga com elas e começa a sentir-se, entre a palavra/ escrita e o escritor, como que um encontro íntimo em que sujeito e objecto se olham, se chamam e se tocam como num verdadeiro acto de amor, num deslumbramento breve que se projecta na frase e prende o leitor permanentemente.
 “É que eu,- dizia-me Manuel da Fonseca, numa tarde de Abril - não escrevo de imediato…antes de lavrar a escrita, alongo-me uns tempos, pensando, reflectindo… Esse tempo de reflexão é necessário para poder, posteriormente, conter o discurso que surge, por vezes, como água selvagem, rio caudaloso que tudo quer arrastar, inundando a planície da espera, feita texto. E então, as palavras, como que estando longamente prisioneiras, soltam-se em liberdade. E a verdade é que escrevi aquilo que queria e do modo que pretendia”!
 Manuel da Fonseca lutou, através da Escrita, por um mundo melhor e mais justo – o dom da justiça, da justa medida e do equilíbrio tão próprios dos nativos de Balança: o escritor nasceu a 15 de Outubro de 1911.
 Obrigada, Manuel da Fonseca, por me ter permitido conviver consigo e conhecê-lo como homem e como escritor!

Maria do Céu Pais

 

 Antes que Seja Tarde
 

Amigo,
tu que choras uma angústia qualquer
e falas de coisas mansas como o luar
e paradas
como as águas de um lago adormecido,
acorda!
Deixa de vez
as margens do regato solitário
onde te miras
como se fosses a tua namorada.
Abandona o jardim sem flores
desse país inventado
onde tu és o único habitante.
Deixa os desejos sem rumo
de barco ao deus-dará
e esse ar de renúncia
às coisas do mundo.
Acorda, amigo,
liberta-te dessa paz podre de milagre
que existe
apenas na tua imaginação.
Abre os olhos e olha,
abre os braços e luta!
Amigo,
antes da morte vir
nasce de vez para a vida.

Manuel da Fonseca, in "Poemas Dispersos"

 


  Manuel da Fonseca, a mulher  e a autora do artigo da coluna central (Prof.ª Céu Silva) em Sines (1992).

 

Manuel da Fonseca com a mulher e a autora deste artigo. Santiago do Cacém, 1992

 

 

     

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