A CASA DO EDUCADOR E O PROGRAMA CULTURAL “LISBOA EU VISITO”

No sábado passado, dia 2/Julho, integrada na programação do «Lisboa, eu visito», cumpriu-se mais uma excelente proposta da nossa associação: conhecer ou rever a «Casa-Museu MEDEIROS E ALMEIDA» e a Tapada das Necessidades.

Excelente programa a terminar “em beleza” a sequência de visitas que se realizaram ao longo do presente ano lectivo e, em todas elas, muito participativas já que, em média, cerca de cinquenta sócios e respectivos familiares tiveram oportunidade de as usufruir.

Como tal, no período da manhã e bem pertinho do Marquês de Pombal, tivemos o grato prazer de visitar a «Casa-Museu MEDEIROS E ALMEIDA» numa “viagem” que nos levou a reviver alguns acontecimentos históricos, assim como usos e tradições dos últimos dois séculos vividos na “alta sociedade”, visita guiada por duas excelentes orientadoras as quais, profundamente conhecedoras deste maravilhoso e rico Museu nos levaram a observar inúmeras maravilhas e pormenores de peças valiosíssimas, obras de Arte que se situam entre os séculos II A.C. até ao XX, – muitas delas emprestadas a outros museus para enriquecerem as próprias colecções que se propõem mostrar ao público – quer nos domínios da Pintura, Tapeçaria, Mobiliário, Arte Sacra, Ourivesaria, Porcelana, quer ainda a belíssima e rica colecção de Leques e Relógios.

As fotografias que se seguem são bem demonstrativas de tanta preciosidade e, caros amigos se me permitem a sugestão, mesmo sozinhos não percam a oportunidade de visitar esta Casa-Museu até porque em cada sala existe documentação muito bem elaborada para nos “guiarmos” em todas as peças expostas.

- Quem foram, afinal, os grandes mentores deste Museu?

 Em síntese apenas direi algumas linhas:

 * António de Medeiros e Almeida (1895-1986) destacou-se como um empresário de grande prestígio português e, entre outros, refiro que a ele se deve a importação de automóveis ingleses, a criação da aviação comercial que mais tarde originaria a TAP e a indústria de açúcar, nos Açores, donde era natural.

* Casado com a Senhora D. Margarida Pinto Basto (1898-1971), o casal adquire em 1943, um palacete bem ao estilo francês, situado na Rua Rosa Araújo e, para o mobilar, compram as peças nos mais famosos antiquários e leiloeiras da Europa adquirindo, deste modo, o estatuto de grandes colecionadores.

* Como o casal não teve filhos, preocupado por garantir a união e conservação de todo o espólio coleccionado ao longo de anos, em 1972, António Medeiros e Almeida cria uma Fundação com o objectivo de «… dotar o País com uma Casa-Museu…».

Constam do acervo cerca de 2.000 obras expostas, desde a raridade das terracotas chinesas, do período Han (206 a.C.-220), às encomendas de porcelana vindas da China para a Europa, com as Armas Reais de Portugal e de D. Manuel I.

As peças de relojoaria são de conceituados fabricantes franceses, ingleses e suíços, salientando-se o relógio inglês, com iluminação interior, utilizando-se para tal uma candeia de azeite, de modo a verem-se as horas no período da noite e datado do século XVII, preciosidade esta que pertenceu à Rainha Catarina de Bragança, esposa do Rei Carlos II, de Inglaterra; um outro relógio monumental de mesa, vienense e em cristal de rocha, prata e lápis-lazúli; uma ampulheta, de Augsburg, datada de 1660 e assinada por Michael Schödelock, em âmbar e marfim; e ainda cerca de 25 relógios Breguet, uma das mais famosas casas relojoeiras do mundo.

Destaco ainda o mobiliário português e francês, as pinturas holandesas e flamengas dos séculos XVI e XVII, os retratos ingleses do século XIX, os adereços de joalharia, as baixelas de prata inglesa, a ourivesaria sacra e as tapeçarias flamengas e francesas dos séculos XVI, XVII e XVIII.

VISITA À TAPADA DAS NECESSIDADES

Por motivo que não tem interesse referir aqui, com grande pena como é óbvio, não tive possibilidade de acompanhar a visita no período da tarde.

 No entanto, deixo algumas notas históricas de modo a contextualizar o grande interesse pela Tapada das Necessidades.

Por volta de 1580 a cidade de Lisboa foi assolada pela peste, a qual se arrastou por mais de 20 anos.

 Tal situação gravíssima, leva a que as pessoas da capital procurassem o campo em busca de ar puro e que lhes permitisse resistir a este mal.

Consta que um casal fugindo à peste, refugia-se na Ericeira e, amiúde, rezava numa ermida aí existente, onde se encontrava uma imagem de Nossa Senhora da Saúde.

 Como o casal escapou à morte, atribuiu esta enorme graça e bênção às suas preces perante esta imagem milagrosa de Nossa Senhora da Saúde.

Ao regressar de vez a Lisboa, o casal faz questão de trazer a imagem e, em 1606 mandam construir uma ermida no alto de Alcântara para a acolher. Rapidamente esta nova capela se torna num local de grande fé e culto, onde a nobreza e o povo ali se deslocam para que lhes fossem concedidos todos os pedidos e “necessidades”.

Mais tarde, decorria o ano de 1742 quando o Rei D. João V ali manda construir uma ermida maior, um convento e um palácio real, tornando-se então na residência oficial de todos os monarcas seguintes.

 No reinado de D. Maria II (1819-1852) e sob a égide do seu esposo, D. Fernando, a mata com cerca de dez hectares de área, foi totalmente transformada criando-se, além de uma escola de horticultura, belos jardins e lagos segundo a orientação do mestre francês Jean Bonnard, especialmente convidado para embelezar todo o espaço envolvente do palácio, tornando-o então, num local único e muito especial, com grande diversidade botânica.

Já em 1856, D. Pedro V, filho de D. Fernando II, manda construir uma espectacular estufa com estrutura em ferro forjado e vidro, destinada ao acervo de plantas das mais variadas origens.

Um pouco mais acima da estufa, situa-se a «Casa do Regalo», um bonito exemplo da arquitectura romântica, mandada construir pelo rei D. Carlos, em 1889, como atelier de desenho e pintura da sua esposa, a Rainha D. Amélia e, actualmente, utilizado p’lo Ex-Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio, como gabinete de trabalho.

No extremo norte da Tapada encontra-se também o moinho e a mãe-de-água.

 A mata mediterrânica e o jardim dos cactos, foram considerados, noutros tempos, como um dos mais belos da Europa.

Mais recentemente, em 1991, devido ao avançado estado de degradação dos jardins, a Câmara Municipal de Lisboa estabeleceu um protocolo com o Instituto Nacional de Investigação Agrária e a Junta de Freguesia dos Prazeres e, de comum acordo, procedeu-se à sua abertura ao público.

A proximidade do estuário do Tejo, da Tapada da Ajuda e do Parque Florestal de Monsanto conferem a este espaço verde um elevado valor ecológico, tanto mais que sendo uma mata murada apresenta uma pressão humana pouco significativa.

Aos caros amigos que tiveram a enorme atenção, delicadeza e paciência em ler tão longa descrição, o meu bem-haja muito profundo, acompanhado dos votos de excelentes férias preenchidas com dias muito felizes.

À Casa do Educador do Seixal os meus parabéns p’lo excelente programa cultural que dinamizam e, simultaneamente, creio poder afirmar em nome de todos nós que participamos nestes dias de aprofundamento do saber, do observar e do escutar (…), o nosso muito obrigada.

(Continuamos a contar com a mui profícua parceria /colaboração dos nossos queridos amigos Alda Correia e Julião Assunção para novas “aventuras” na nossa capital.)

 Para todos vós, colegas e amigos, um enorme xi-coração e votos de dias felizes.

 

 

 

 

 

Mª. Lourdes Mano

Quem Somos | Projectos | Agenda | Forum | Contactos