VISITA À SÉ PATRIARCAL DE LISBOA

Como os meus queridos amigos leitores sabem muito bem, não se contam oito séculos de história de um monumento espectacular numa dezena de parágrafos. Daqui se conclui que esta minha abordagem escrita está muito incompleta mas, em compensação, as fotografias publicadas revelam bem o nível excepcional desta bela catedral românica e, devido aos restauros efectuados já no séc. XX, neo-românica.

Apenas recordarei que a construção desta Sé Patriarcal (também como todos sabemos) deve-se a D. Afonso Henriques e remonta ao séc. XII, após a tomada da cidade aos mouros em 1147 e, segundo alguns documentos, a sua construção arrastou-se até aos primeiros anos do séc. XIII, sendo edificada no lugar onde existia a mesquita de Lisboa.

Também por acção do rei D. Afonso Henriques, as relíquias de S. Vicente de Saragoça, que se encontravam no Cabo de S. Vicente, no Algarve, foram transportadas com grande solenidade para esta nova catedral do reino.

Segundo a lenda, ao longo de todo o trajecto dois corvos sagrados mantiveram uma vigília permanente sobre o barco que transportava as relíquias de S. Vicente, facto este que serve de explicação para que no brasão da cidade de Lisboa figurem dois corvos e o barco. Ainda segundo essa mesma lenda, os descendentes dos dois corvos originais viviam nos claustros da catedral.

O edifício em estilo românico, muito semelhante ao da Sé de Coimbra, é parecido com os modelos normandos, já que o arquitecto, – Mestre Roberto – além de ser proveniente da região da Normandia, foi o arquitecto destes dois monumentos de grande referência histórica e também, do Convento de Santa Cruz de Coimbra.

Em síntese direi que o projeto é constituído por três naves com trifório, transepto saliente e cabeceira com três capelas.

Ao longo dos séculos o edifício foi alvo de várias obras de reconstrução e de restauro, sofrendo grandes alterações de acordo com os estilos de arquitectura vigentes, nomeadamente o gótico e o barroco.

Já no decurso da primeira metade do séc. XX, quando a Sé Patriarcal foi alvo de obras de restauro, houve a enorme preocupação de seguir e respeitar o estilo original (românico), privilegiando as estruturas medievais ainda existentes, além de se reconstruir a abóbada da nave central, a fachada principal foi refeita com a rosácea, além de muitas outras alterações como se observa actualmente.

À Sé de Lisboa foram atribuídos três órgãos construídos em períodos diferentes.

O instrumento mais antigo encontra-se no lado do Evangelho, cujo construtor foi Joaquim António Peres Fontanes, entre 1785 e 1786. Um outro órgão semelhante a este e colocado no lado da Epístola, na década de 60 do século passado foi transferido para a Igreja de Santa Engrácia, actual Panteão Nacional.

Em substituição deste, em 1964 aqui foi colocado um novo órgão do construtor D. A. Flentrop, sendo restaurado em 2012.

No decurso da nossa visita à Sé, tivemos o grato prazer de ouvir permanentemente um organista interpretar neste mesmo órgão situado no lado da epístola, várias peças musicais.

 

CLAUSTRO

 A cronologia das obras do claustro é pouco conhecida.

 No entanto, sabe-se que foi construído na época do rei D. Dinis.

Durante a Idade Média, uma das funções principais das capelas do claustro foi a funerária, servindo a elite da cidade. Apesar de muito danificadas p’lo terramoto e incêndio de 1755, algumas merecem destaque, nomeadamente a ampla Capela de Nossa Senhora da Pedra Solta, situada na ala leste, por ser o lugar da fundação da Irmandade da Misericórdia, criada pela rainha D. Leonor, em 1498. A entrada da capela é feita por um portal com três arquivoltas assentes em finos colunelos, sendo o portal ladeado por duas janelas amaineladas, muito comuns nos estilos góticos e manuelino.

Como se pode observar nas fotografias que ilustram este texto, todo o pátio do Claustro é alvo de escavações arqueológicas.

 

TESOURO

Entre outras peças variadas, refiro que o tesouro é formado por uma vasta colecção de pratas, entre estas uma cruz do século XVI, vários e ricos trajes eclesiásticos, estatuária diversa, manuscritos iluminados e relíquias de santos e, como é óbvio, a arca em prata lavrada contendo as relíquias de S. Vicente de Saragoça, uma das peças mais preciosas do Tesouro da Sé Patriarcal.

A outra, é a Custódia de estilo barroco, considerada das mais esplendorosas do mundo e a mais valiosa deste Museu do Tesouro. Foi construída no séc. XVIII , toda em ouro e ornada com diamantes, rubis, esmeraldas e safiras, conta a história da paixão e ressurreição de Cristo. Nela podemos ver esculpidas várias figuras humanas e de animais, além de anjos e da Arca da Aliança, a qual faz a ligação entre o Velho e o Novo Testamento.

Foi construída pelo ourives Joaquim Caetano Carvalho a pedido de D. José I que a ofereceu à Sé de Lisboa.

Veja aqui Reportagem Fotográfiaca do Engº João Lucas.

 

 

 

Lisboa, 16/04/2016

Professora Mª de Lourdes Mano

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