Estado de espírito

Olho o mar imenso e voo no tempo,
Tempo lento, comprido e calmo.
Do tempo que deixei fugir.
Recordo campos de solidão
E paisagens de suor e pobreza,
Revejo figuras morenas, exangues,
Mas de genuína grandeza,
De bondade.
Sinto os ecos de menino...sinto tanta saudade!
Oiço sons, lá longe, nos trilhos do tempo.
Oiço vozes, às vezes de lamento
E sonho para que o passado volte,
Mas ele oculta-se teimosamente
Pra lá da lonjura do meu pensamento.
Oiço a canto mágico das aves,
Oiço o sussurrar das águas correntes,
Que apressadas, levam o meu olhar em si, silencioso.
Busco no arquivo da infância
Coisas que gravei sem saber, no canto da nostalgia.
Vejo o relógio inverter a marcha
E levar-me na ponta da saudade,
Até ao tempo em que o tempo não corria.
E o tempo clicou no presente
E saudoso acordei triste e nostálgico.
Senti novamente saudade desse tempo,
Tempo, de paz e de calma.
E o mar, ainda lá, trouxe-me novamente
À realidade do presente,
Com saudades daquele tempo,
Do meu tempo de menino.


João Alberto Bentes
(Outubro/2010)

 

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