CRIANÇAS DO NADA

Nasceram na terra do nada,
Sentiram, inocentes, tantas esperanças
Aquelas pobres crianças!
Roubaram-lhes sonhos imaginados,
Deixaram-nas criminosamente sós,
Tiraram-lhes direitos sagrados.
Vivem a fome e a doença,
Choram aviltadas a sua sorte,
Transportam desde a nascença
A passagem para a morte.

Morte prematura e traiçoeira,
Morte que revolta e ofende
Acontecendo daquela maneira.
Não merecem aquilo que têm,
Horizontes sem além,
Fechadas que estão no tempo,
Naquelas terras de ninguém.

Tiveram tão justas esperanças,
Aquelas pobres crianças!

Foram os senhores da guerra,
Que com louca e desmedida ambição,
Ditaram o futuro tão limitado
Das crianças do nada
E do pouco que nunca terão.

Soltem-se gritos de revolta,
Abram-se as portas da denúncia urgente,
Mostrem-se os terríveis horrores,
Faça-se algo por aquela gente
Que não tem força pra gritar,
Que já nem sabe o que sente,
Que só sabe chorar!

João Alberto Bentes
(Nov.º/2010 )

   

Quem Somos | Projectos | Agenda | Forum | Contactos