«LISBOA, EU VISITO!»

CASA DO EDUCADOR DO SEIXAL

 Como vem sendo habitual, mensalmente a CES promove uma Visita de Estudo até à nossa capital, destinada aos sócios e familiares, assim como aos alunos da UnisSeixal e utentes da CesViver.

Assim sendo, no passado dia 23 de Janeiro cinquenta amigos passaram um dia em cheio, pleno de aprendizagens, enriquecimento cultural, além do habitual convívio e boa disposição que estes encontros de amigos proporcionam sempre.

Recordámos dados históricos sobre o Jardim do Príncipe Real, visitámos o «Reservatório da Patriarcal», o «Palacete Ribeiro da Cunha», a Igreja do Convento de S. Pedro de Alcântara e a respectiva Capela dos Lencastres para, terminarmos em beleza, deliciando-nos com as preciosas obras de Arte existentes no Convento dos Cardaes.

Não seria justo nem delicado da minha parte, não referenciar aqui o nome de dois amigos que muito trabalharam para despertar em todos nós grande interesse e motivação p’los locais a visitar, garantindo deste modo o êxito de mais uma Visita de Estudo.

Meus queridos amigos Alda Correia e Julião Assunção muitos parabéns p’la forma exemplar como prepararam e executaram mais este programa de cariz cultural e denominado «Lisboa, eu visito!».

O nosso bem-haja pela vossa preocupação em elaborar e distribuir por todos nós, um magnífico guião que nos recorda pormenores históricos do Jardim do Príncipe Real - em homenagem ao príncipe D. Pedro V mas, moderna e oficialmente designado por Jardim França Borges – e do edifício construído em 1877, com projecto arquitectónico de Henrique Carlos Afonso, o conhecido «Palacete Ribeiro da Cunha», belo exemplar do revivalismo romântico oitocentista português, em estilo neo-árabe.

O nosso bem-haja é dirigido também à Direcção da Casa do Educador, na pessoa do seu Presidente, Professor Tomás de Aquino, não só por continuar a promover e dinamizar estes encontros culturais como, neste caso específico, nos oferecer o referido guião da Visita de Estudo.

Muito obrigada também, ao nosso querido amigo Julião Assunção porque, mui generosamente nos elucidou de forma magnífica, dos factos históricos relacionados com o «Reservatório da Patriarcal», com este lindo Jardim lisboeta e sobre o citado Palacete.

Estimados leitores, se me permitem, recordarei apenas alguns dados históricos muito breves alusivos a este fantástico programa cultural:

 1 - Em 1990, o Museu da Água da EPAL foi galardoado com o «Prémio do Museu do Conselho da Europa», prémio este que prestigia o museu que melhor contribua para o entendimento e conhecimento da herança cultural europeia, bem como para a consciencialização da sua identidade. Até à presente data, este é o único museu português que foi distinguido com este galardão.

 - O Museu da Água da EPAL integra um conjunto de monumentos e edifícios, construídos entre os séculos XVIII e XIX, os quais representam um importante capítulo da história do abastecimento de água à cidade de Lisboa. São eles:

·        Aqueduto das Águas Livres,

·        Reservatório da Mãe d’Água das Amoreiras,

·        Reservatório da Patriarcal  e

·        Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos.

 - O Reservatório da Patriarcal, foi projectado em 1856, pelo engenheiro francês Louis-Charles Mary.

2 – A Igreja do Convento de São Pedro de Alcântara foi edificada em 1681 e nela se destacam várias pinturas, nomeadamente nas paredes laterais podemos ver «A Coroação da Virgem», de Pierre Antoine Quillard, «A Pregação de São João Baptista», de Pedro Alexandrino de Carvalho, também conhecido por  «pintor dos frades» por executar inúmeras obras de índole religiosa e, no altar-mor, podemos apreciar «O Êxtase de São Pedro de Alcântara», obra plástica atribuída a Bento Coelho da Silveira, Pintor Régio de D. Pedro II;  segundo a técnica «trompe l’oeil», o tecto apresenta uma bela pintura do francês Pierre Bordes; as paredes da nave estão revestidas de painéis de azulejos, de estilo barroco, com cenas biográficas de São Pedro de Alcântara, painéis estes considerados únicos em Portugal alusivos a este santo.

 - A Capela dos Lencastres está revestida a mármores embutidos, muito ao gosto italiano da época, considerada a jóia do Convento de São Pedro de Alcântara.

3 – O Convento dos Cardaes é uma edificação austera, dentro do espírito seiscentista, com volumetria simples e projecto do arquitecto português João Antunes.

O Convento foi fundado por D. Luísa de Távora e destinado à Ordem das Carmelitas Descalças.

 - As obras de Arte Sacra existentes neste Convento nomeadamente na Portaria, Sacristia, Igreja, Coro-Baixo, Coro-Alto, Ante-Coro, Sala do Capítulo, Sala Mariana, Sala da Paixão, entre outros espaços dignos de nota, são autênticos tesouros.

Seria difícil referir aqui tanta preciosidade.

Apenas refiro alguns pintores portuguese de grande valor artístico como, André Gonçalves (considerado o grande responsável pela mudança estética que se operou em Portugal no início do século XVIII), Vieira Lusitano (de seu nome Francisco de Matos Vieira, foi pintor da Casa Real de D. João V), Bento Coelho da Silveira (pintor régio de D. Pedro II e um dos mais conceituados artistas portugueses do séc. XVII cujas obras são quase todas pintadas a óleo sobre tela, materiais inovadores para a época e de forte influência italiana) e António Pereira Ravasco (autor de muitas telas seguindo o estilo barroco francês, mas também pintor de inúmeros painéis de azulejos dentro do estilo barroco português, detentor de uma técnica muito própria denominada «pingada e nervosa», facilmente identificável pelos especialistas).

As fotografias que aqui vos apresento sobre esta nossa bela “viagem” pela Arte e Cultura dos locais lisboetas visitados no passado sábado, são pouco elucidativas das maravilhas e tesouros que tivemos oportunidade de observar «in loco».

Para todos vós, queridos amigos, expresso os meus votos de continuação de dias felizes.

 

 

 

 

 

Mª de Lourdes Mano

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