O ALMOÇO


Mote

Era almoço de amizade
Era tertúlia poética
Aguardado com ansiedade
Teve mesmo muita estética.

Glosas

Os ingredientes da mesa
Primavam pelo cromatismo
Com cozinha à portuguesa
A cenoura e seu realismo
O chouriço e seu bairrismo
A Grândola fazia jus
E eu neste poema o pus…
E que dizer do camarão
Que metia o seu vistão?
Era almoço de amizade.

Comemos petiscos tais
Com muito estilo, sentados
Os poetas alinhados,
Anfitriã era demais
Nunca vi mimos iguais
Em simpatia e ternura
Por isso meu preito perdura
À reunião familiar
De raiz peculiar,
Era tertúlia poética.

Perante tantas delícias
Do saboroso manjar
Os olhos viam estrelícias
E no santo mastigar
As papilas gustativas
Sugeriam putativas
À mente o tentar rimar
Pois este almoço salutar
Esteve algum tempo a esperar
Aguardado com ansiedade.

“Nem só de pão vive o homem”
Diz ditado popular
Enquanto com calma comem
Todos estão a pensar
Telepatia profética…
Nos poemas  a florir
O poema “Feijão Branco”
Da Amália não foi manco
Além de fazer sorrir
Teve mesmo muita estética.


Uma quadra suplente
Para dar a conclusão
Foi caloroso o ambiente
Derreteu meu coração.


29/05/2011

Maria Vitória Afonso

   

Quem Somos | Projectos | Agenda | Forum | Contactos